quinta-feira, 27 de setembro de 2012

A dor e a delícia de ser Tradutor

 Ser tradutor é maravilhoso, mas passamos por alguns sufocos. Ora amados, ora odiados, sofremos muitas críticas, mas ao mesmo tempo somos extremamente necessários. Visto que um tradutor tem a bonita missão de fazer duas ou mais pessoas e nações se entenderem. As críticas vêm principalmente do público que assiste filmes. Ao menor sinal de falta do sentido literal na tradução de uma palavra ou expressão popular, pronto, já não somos bons profissionais. O que a maioria das pessoas não sabe é que, por exemplo, o título de um filme não é o tradutor quem o faz. Ele já vem com o título para nós, por uma questão de Marketing. E que também, muitas vezes, não somos nossos chefes. Bem que adoraríamos trabalhar livremente, traduzindo cada palavra na sua mais pura forma, mas..... não é bem assim! Se o contratante discordar de sua tradução, principalmente no que tange ao mundo dos "palavrões", você simplesmente tem que fazer a alteração/adaptação no ato. É aí que entram as críticas. "Pô, não foi isso que o ator disse!" Sim, de fato não foi, mas foi o que o pessoal da empresa quis e aprovou.

Outra coisa que nos prejudica é o tal de Google Tradutor. Que o Google chegou para nos ajudar em pesquisas, isso é indiscutível. Todo mundo diz: "Santo Google!" e é verdade, eu mesmo utilizo bastante. Mas para traduzir um texto? Definitivamente não. Se precisarem traduzir algo grande e complexo, por favor, chamem um tradutor! Combinado?

Mais uma questão é a do estrangeirismo exagerado em nosso cotidiano. Embora eu veja de forma válida porque é uma maneira de fazer as pessoas aprenderem e se aproximarem de outro idioma, e talvez se interessarem por ele, acredito que o que está acontecendo nos dias atuais é um exagero, uma enxurrada de palavras que poderiam muito bem ter uma tradução, mas que por algum motivo alguém julgou mais interessante deixá-la em sua forma natural. O exagero me irrita um pouco. Há sim palavras intraduzíveis, como "drive-thru" e "abajour" que foi alterado apenas na escrita para "abajur", mas a pronúncia é a mesma.

Quando me formei achei que seria fácil encontrar emprego na área, mas olha, que dificuldade! Ao mesmo tempo que é um mercado que precisa e busca profissionais, só conseguimos um trabalho bacana por meio de indicações. Digo, se estiver procurando algo mais concreto e vitalício. Para free lances tudo bem, essa parte é tranquila, vai no bom e velho "boca a boca". Enfim, sem trabalho nós não ficamos. E agora com a Copa do Mundo no Brasil em 2014 o mercado ficará bem aquecido. E o legal é que podemos revisar textos também, o que sempre me atraiu bastante desde minha época do colégio.

E o trabalho dos intérpretes? Uau, acho incrível! Mas não é para mim, morro de vergonha. Cada vez que eu tinha aulas na cabine tremia feito vara verde. E eles também sofrem críticas, principalmente se for a tradução simultânea, onde precisam falar ao mesmo tempo em que o interlocutor. Mas de novo entramos naquela questão do contratante. Se for o que eles precisam para o evento, lá vão os intérpretes encarar o desafio e passar pelo crivo dos espectadores.

O que posso afirmar com toda a convicção é que, nós tradutores nos esforçamos muito e fazemos de tudo para entregar um texto limpo e fiel a quem nos procurou. Agradar a todos é tarefa bem difícil, não é? Mas e agora, você vai pensar duas vezes antes de julgar um profissional da tradução? Espero que sim.

Um abraço e até o próximo post!